Quênia, fotojornalismo e troféus
Dezembro de 2007. Após as disputadas eleições do fim do ano, uma onda de violência étnica surgiu no Quênia, e prosseguiu até fevereiro de 2008. O candidato derrotado da oposição, Raila Odinga, denunciou fraude no processo eleitoral, desencadeando uma série de conflitos entre seu grupo étnico, o Luo, e membros da comunidade Kikuyu, que apoiavam o então presidente Mwai Kibaki.

Quênia
Chegando ao Quênia, o fotógrafo reportou cenas impressionantes da violência entre as tribos: grupos insurgentes, pessoas sendo violentadas, manifestações, assassinatos, civis feridos e, o que mais me chamou a atenção, uma criança tentando impedir a invasão de policiais em sua casa.
O país africano tem um longo histórico de violência política “orquestrada”,

Monday Lawiland, de 7 anos, grita ao ver um policial se aproximar de sua casa
ou seja, de milícias pagas diretamente por políticos para cumprirem os interesses dos seus mandantes. O momento captado pela câmera de Walter Astrada, no dia 17 de janeiro de 2008, mostra o menino Monday Lawiland, de 7 anos, gritando ao ver um policial se aproximar de sua casa, em Kibera, um reduto da oposição, na cidade de Nairóbi. Se formos adiante, a foto vira poesia, e o texto, uma extensa dissertação. O fotojornalismo tem dessas coisas.
O trabalho no Quênia rendeu ao argentino três prêmios mundiais: o primeiro lugar na categoria Spot News do World Press Photo 2009 (WPP), e prêmio de Fotojornalista do Ano do Best of Photojournalism 2009, da Associação de fotógrafos de Imprensa dos Estados Unidos (NPPA), e o prêmio Photographers Giving Back (PGB).
Em fevereiro de 2008, os dois líderes do Quênia chegaram a um acordo de divisão de poder, mediado pelo antigo Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan.
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A exposição das fotos de Walter Astrada percorre 61 cidades pelo mundo, em um total de 37 países, até dezembro, junto com todos os ganhadores do World Press Photo 2009.
Breves comentários

2 Eu ainda tenho que ouvir debates sobre o adiamento das aulas da PUC-Rio. Tem gente que gosta de perder dinheiro.
3 A nova coleção da Melissa, Love Pirates, está bizarra. Já viram?
Esse lúcido musiquinho…
Que delícia ele é. Caetano Veloso. Coração Vagabundo. Não a música, o filme. O documentário. Mas que doçura, leveza, prazer. Não poderia ter tido programa melhor, sozinha, rindo, e cantando, curtindo, e vidrada. Dirigido por Fernando Grostein Andrade, Coração Vagabundo estreiou hoje no circuito brasileiro para encantar os fãs de Caetano e, acredito, os não-fãs também. Gravado durante a turnê do disco só de músicas em inglês “A Foreing Sound”, entre 2003 e 2005, o documentário traz deliciosos retratos de Nova York (EUA) e Osaka (Japão), nas ruas, nas pessoas, no cantor, nos palcos.

Cartaz de "Coração Vagabundo"
Entre bastidores e música, um Caetano Veloso na intimidade livre para pensar, filosofar, explicar, lembrar. Destaque para a pausa do momento Caetano e o ligeiro tempo delicadamente dedicado a Michelangelo Antonioni, o ex-cineasta italiano, já com os seus noventa e tantos anos. Lindo. Só vendo.
Tem David Byrne, Pedro Almodóvar, Paula Lavigne… Tem Caetano modesto, engraçado, risonho, choroso, lúcido, poetinha, musiquinho, peludo, nú. E tem a edição. A maravilhosa edição. Bravo! Sessenta minutos gostosos e leves, até o fim do rolo.
Coração Vagabundo está em cartaz no Estação Barra Point 1 (Barra da Tijuca), no Espaço de Cinema 3 (Botafogo) e no Estação Vivo Gávea 1 (Gávea). Imperdível.
Depois de assistir ao filme, as minhas palavras terão outro sentido, voltem.
É… oi?
Compartilhando o fruto da preguiça de uma tarde gelada. Sobre um passeio com o cãozinho. (Coisa interessante de postar…) Vejam, vejam.
Nessas horas, só o Chico mesmo.
¿Vale?
Na procura pelo que postar, diante de ociosas férias, lembrei-me de uma cosita. Que tal aprender como tocar castanholas? E a dançar alguns passos da Sevilhana?
Aqui está um vídeo que a professora Claudia E. Troncoso me mostrou sobre como tocar as castañuelas e bailar essa música típica da região de Andaluzia, na Espanha. Muito alegre, viva e cheia de cor, a Sevilhana pode ser vista nas feiras e festas do sul da Espanha, e a dança é composta de quatro partes, coplas. Aí vai uma delas:
Muy bueno, ¿no?
Casa comigo
Aqui está um texto do Michel Melamed, interpretado por ele na primeira parte da Trilogia Brasileira. Muito bom, o texto e a trilogia toda.

"Casa Comigo", de Michel Melamed
‘Regurgitofagia’ terá reapresentação nos dias 16, 17, 18 e 19 de julho no Sesc Ginástico (RJ), às 19h. TEM QUE ASSISTIR.
Ai, Sarney…
Já deu, né? Ouvi um comentário ótimo do Sidney Rezende, hoje de manhã na rádio MPB FM, comparando Sarney e Renan Calheiros. A ideia foi a seguinte:
O movimento Fora Sarney não pode ser comparado ao Fora Renan. Sarney é mais experiente. Tem mais cacife. Mais aliados. (…) Sarney é, principalmente, mais velho: se sair, não volta mais.
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Estou postando um vídeo que eu e Tatiana Carvalho fizemos para a matéria Comunicação em TV, do terceiro período de Comunicação Social. Minha primeira filmagem e edição:
Homenagem tardia
Mas sempre em tempo.
A um grande artista, um grande menino, eterna criança. Nunca fui fã do Michael Jackson, até porque nunca o conheci de verdade. Foi necessária a morte para eu (e muitos milhões) tomar conhecimento da dimensão de sua existência. Admiro muito esse grande artista, que está, certamente, vendo todas as homenagens lá de cima, ou aqui entre nós. Espero que ele esteja feliz, enfim.
Aqui fica a homenagem do Jornal Nacional a Michael Jackson, um vídeo emocionante:
(“Ben” é covardia, né?)
Sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo
Um pequeno comentário sobre a ação do Supremo Tribunal Federal (STF): lamentável. Segue a nota do vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, divulgada ontem (18), sobre a decisão do STF:
” Adecisão do Supremo Tribunal Federal sobre o diploma de jornalista é bem-vinda. Ela atesta como legal situação vivida por órgãos de imprensa, que, há anos, têm na sua equipe, especialistas de outras áreas, com talento reconhecido, mas que não se formaram na profissão. Quaisquer que sejam as interpretações sobre a decisão do STF, porém, para nós das Organizações Globo nada mudará. Reconhecemos como fundamental o trabalho feito pelas Escolas de Comunicação Social no país, e continuaremos a buscar nelas os nossos profissionais de jornalismo. Estes, para exercerem bem as suas atribuições, dependem de um conjunto de técnicas e conhecimentos que tem nas Escolas de Comunicação o seu melhor centro de difusão. Essa crença nunca esteve em conflito com a nossa postura de buscar especialistas de outras áreas que possam enriquecer nossos jornais, revistas, programas jornalísticos em rádio e TV e sites da internet. A decisão do STF apenas ratifica uma prática que sempre foi nossa. “
É por isso que eu amo a Globo.
Reforço poderoso no Paquistão

A presença Talibã na Província da Fronteira Noroeste
Centenas de civis estão participando ativamente da ofensiva do exército paquistanês para conter o avanço da milícia Talibã no noroeste do país. Segundo a polícia local, cerca de 1.000 a 1.500 moradores do distrito de Dir do Norte estão envolvidos em ataques contra os militantes.
No início de junho, cidadãos locais atacaram cinco aldeias na tentativa de expulsar a milícia e destruíram as casas de suspeitos de abrigar militantes talibãs. “É algo muito positivo que a população tribal se coloque contra os militantes, pois isso vai desencorajá-los”, disse o chefe da polícia de Dir do Norte, Atif-ur-Rehman.
Esta, porém, não é a primeira vez que forças tribais tentam lutar contra o Talibã. Em novembro de 2008, a população de Bajaur negou um santuário para a utilização dos militantes, mas a milícia retaliou a ação com atentados suicidas nos ajuntamentos da região.
“Originalmente, líderes talibãs na região noroeste do Paquistão, como Maulvi Fazullah, tinham o apoio da população, principalmente entre jovens, pobres, mulheres e sem-terras, todos marginalizados pelo sistema de ‘castas’ feudal e burocrático que prevalecia. Mas o apoio popular sumiu assim que o Talibã começou a impor a Lei Islâmica, a Sharia, na região”, explicou o correspondente e editor do site Middle East Desk, Graham Usher, ao Portal PUC-Rio Digital.
A ofensiva do exército
No dia oito de maio, o exército paquistanês deu início a uma ofensiva contra uma série de rebeliões da milícia Talibã, iniciadas em abril, em cidades do Vale do Swat, no noroeste do Paquistão. Até agora, militares estimam já ter matado mais de mil militantes desde o início da ofensiva.
No fim do mês passado, o exército retomou a cidade de Mingora, a mais populosa de Swat, a 100 quilômetros da capital Islamabad. “É uma grande realização”, disse o Major General Athar Abbas à rede CNN, “É a maior cidade em Swat e, para todos os efeitos práticos, Mingora está controlada”.
O exército divulgou que militantes estavam escondidos em hotéis e outros edifícios privados, disfarçando-se como civis. Soldados encontraram, em Mingora, cinco túneis, com 100 metros de comprimento e 12 metros de largura, cheios de armas.
De acordo com dados das Nações Unidas, o conflito já desabrigou cerca de três milhões de pessoas de suas casas no Vale do Swat. Mais de 10% dos desabrigados estão vivendo em campos de refugiados montados pelo governo, passando por dificuldades no abastecimento de água e gás e amparados por ONGs de ajuda humanitária.
O conflito
O principal ponto de discórdia entre o Talibã de Swat e o governo é a vontade da milícia de implementar suas regras e leis em todas as áreas do grupo étnico pashtun do país (a Província da Fronteira Noroeste, áreas tribais e partes da província Balochistan), demarcando um novo território.
O governo vê a “proposta” do novo estado como uma fragmentação do Paquistão. “Na verdade, a aspiração talibã tem pouco a ver com a Lei Islâmica, já que o Paquistão, constitucionalmente, é um país islâmico. A grande questão é estabelecer um poder sobre um território étnico específico”, disse Graham Usher ao Portal PUC-Rio Digital.
Estados Unidos se preocupam com arsenal nuclear
Logo no início das insurreições talibãs, os Estados Unidos se declararam preocupados com a vulnerabilidade do arsenal nuclear paquistanês. O presidente norte-americano, Barack Obama, disse que manter os arsenais em segurança deve ser a prioridade do exército.
Apesar de saberem que estão localizados ao sul da capital Islamabad, os norte-americanos não têm informações sobre todos os arsenais nucleares do Paquistão, o que reforça o estado de alerta. A Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou, ainda, medidas que triplicaram a ajuda ao Paquistão, elevada para 1,5 bilhão de dólares por ano, nos próximos cinco anos.
Os Estados Unidos atribuem à insurgência da milícia Talibã o comprometimento dos esforços para combater milícias similares no país vizinho, o Afeganistão.
Atentados em represália à ofensiva
Nos últimos dias, depois de mais de um mês de combate, as forças de segurança do Paquistão começaram operações em outras partes da Província da Fronteira Noroeste. Os militantes têm respondido à ofensiva com uma série de atentados em grandes cidades, como Lahore e a capital da província, Peshawar.
Para o professor da Universidade do Texas, Kamran Ali, só um recuo do exército e uma negociação de paz poderia garantir a contenção do Talibã na região montanhosa de Swat. “Seria uma forma, também, de proteger a rodovia nacional, a principal via utilizada para o transporte de suprimentos para as forças da OTAN no Afeganistão”, disse ele ao Portal PUC-Rio Digital.
O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, condenou os recentes atentados suicidas. Na noite de sexta-feira (12), Zardari fez um pronunciamento à população e disse que os militantes talibãs estão sendo brutais e são pessoas que trabalham contra a soberania do país.
(*Matéria final realizada para o curso de seis meses Jornalismo Internacional, da PUC-Rio)